sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Loucura

A insistência da loucura é uma coisa extraordinária. Não importa quantos tratamentos ou remédios inventem para isso, ela vai escapar de qualquer forma. Ela é o que precisamos para viver além da brutalidade do real. Enfrentar o susto da diferença total diante de nós, exige um desligamento do concreto para o mergulho na invenção. Ver no outro o que acredito que eu seja. Mirar a mim do outro lado para poder enxergar aqui. Proclamar na imagem do mundo a realidade que espero. Só se pode viver com pouca sanidade. Criar é um ato de loucura.

Simone de Paula - 15/10/21

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Indiferença

Toda a fachada de indiferença que Elisângela usava era pra disfarçar, ou melhor, esconder sua intensidade. Mas um dia, ela pirou.

Foi mais ou menos assim.. 

Sentada no sofá da casa em que morava com a mãe, lendo as notícias do dia, enquanto tomava um café, Elisângela começou a sentir um redemoinho no meio da barriga. Era um misto de enjoo, com nojo, com tristeza, com vergonha, com medo, com desespero, com decepção, com raiva, com solidão. Mix completo! E sem saber direito o que tinha provocado aquilo. Pela personalidade apaziguadora que tinha, usou o recurso comum: racionalizar. Pensou se tinha comido algo que estava brigando com o corpo dela. Mas aquela força aumentou e ela começou a gritar. Muito, sem conseguir parar, sem saber como desligar o botão, sem mexer nenhum membro do corpo a não ser as cordas vocais. A mãe veio correndo e tentava fazê-la calar, o interfone começou a tocar, certamente algum vizinho reclamando, mas ela não via ninguém, nada importava, nem saberia como parar.

Alguns minutos depois, aquele berro sem contorno virou choro compulsivo. Ficou muito tempo encolhida ali, na mesma posição, chorando por quase trinta anos de vida. Eram tantos os porquês, mas nenhum que ela quisesse pensar. Ficou calada o resto do dia. O choro ia e vinha, ela estava exaurida, não tinha força, nem vontade de sair daquele mesmo lugar em que tudo começou naquela manhã. 

A mãe trouxe um copo de leite, mas ela nem tocou. Trouxe um cobertor e esse ela aceitou. Deitou no sofá em que estava e desistiu de qualquer pensamento ou movimento, ficaria ali parada para sempre. Como agora estava silenciosa, a mãe a deixou quieta, afinal, aquele som estridente não incomodava mais ninguém, porque tinha cessado, ela estava calada novamente.

No meio da madrugada, outra crise, que veio com o incômodo na barriga, minutos longos de gritos, choro convulsivo e depois silêncio, quietude, tristeza. 

A mãe perguntou se ela queria um médico, ela negou. Ela não queria nada e nem faria nada, além de ter suas crises sem precisar se desculpar ou se envergonhar por isso. Naquele momento ela não conseguia pensar assim, mas depois ela entendeu que estava se absolvendo por tanta culpa que sentira sem nem haver porquê.

Tinha cumprido papeis, segurado tudo nas mãos, obtendo elogios e mais tarefas, mesmo que autoimpostas. A explosão surgiu como a coleção de nãos nunca pronunciados.

No trabalho, ganhou uma licença de duas semanas, mas ela pediu para ser desligada do emprego, não iria voltar. Não tinha como ir nem mais um dia na vida para aquele escritório. Precisava de tempo para sair daquele sofá, mas não seriam quinze dias, nem se ela quisesse, pois nada a moveria ali, a não ser o dentro dela.

Estava indiferente a tudo, agora de verdade. A fachada deu lugar ao sentimento de pouco se importar com a vida, o mundo, e principalmente as pessoas. Entrou no estado de basta.

Alguns meses se passaram. A mãe tentava algum tipo de conselho para ela sair daquele estado e ela nem respondia. Porém, numa outra manhã, sem nenhum jornal, mas silêncio e café, olhou para a mãe e disse suas primeiras palavras: “me deixa aqui, tá tudo certo”. A mãe calou e ela praticamente tinha mudado para o sofá, estava na sua atual casa. Aquele pequeno espaço em que tinha tudo. Levantava apenas para ir ao banheiro ou tomar banho. Comia ali mesmo. Era total passividade e silêncio.

Era impressionante vê-la, pois não havia ali um zumbi, mas uma mulher séria, mais viva do que nunca. 

Alguns pensamentos começaram a voltar, como sua boca não servia mais para falar, pegou um caderno e começou a escrever. Eram palavras soltas, sem conexão, sem a intenção de contar algo, não era um diário, mas um espaço de registro, só queria ter onde por as palavras que começavam a surgir. 

Três meses desse estado e ela decidiu que era hora de procurar um terapeuta, queria fazer um trabalho nesse sentido. Lembrou de uma conhecida que fazia análise e pediu um contato. Marcou uma sessão e foi sua primeira saída de casa. Chegou com um bilhete, "não consigo falar, mas vai acontecer em algum momento, só preciso estar aqui por enquanto". O analista aceitou e indicou a poltrona para que ela sentasse, mas ela se direcionou divã, não queria se ver olhada. Mais três meses de silêncio e passividade. Ela começava a notar que esse era o seu tempo, três meses, que não iria fazer mais nada que exigisse que ela precisasse se antecipar a isso. Ao menos três, esse era o seu novo lema.

Chegou na sessão, sentou na poltrona e começou a falar, pouco, sem sentido, apenas registro, como fazia com o caderno. O tempo passou, as palavras foram se encadeando de forma diferente e mostravam mais riqueza de sentidos. Ela confiava e se soltava naquele lugar. Não estava mais abandonada como no sofá, mas ainda se mantinha só e em distanciamento. Depois de entender seu tempo, agora experimentava seu lugar em relação aos outros e ao mundo.

No meio de uma sessão, sentiu novamente aquele redemoinho e não conseguiu segurar o grito. Berrou muito por quase dez minutos. O analista ficou surpreso, mas deixou a situação seguir livremente. Após o berro, veio mais dez minutos de choro, ele simplesmente assistia tudo aquilo em espera. Um respiro mais profundo, ela olhou para ele e começou a falar sem saber o que dizia. Começou pedindo, não me interrompa, por favor. Depois de mais de meia hora de frases e palavras atropeladas, como que sem terem sido pensadas para serem ditas, veio uma frase amontoada de outras que a encobriam, mas que foi escutada com plenitude: fui invadida, fui usada, fui abusada, me cegaram e eu nem sei. 

A revelação foi mais surpreendente para ela do que para ele. Era algo que ela praticamente não sabia, mas tinha acontecido. Quando ela parou de falar, olhou pra ele e perguntou: você ouviu o que eu ouvi? Foi isso mesmo que eu disse, que eu fui abusada? Ele confirmou. Ela levantou e foi ao banheiro, o vômito, dessa vez, foi o meio de colocar pra fora aquele embrulho do estômago. Ela voltou, agradeceu pela sessão, sorriu e disse que continuariam na próxima semana. Voltou pra casa livre de uma lembrança que a atacava por dentro. Agora iria tratar daquilo. 

Chegou em casa, saiu do sofá e voltou para o seu quarto. Tomou um banho e comeu, parecia com mais fome do que em qualquer momento teve na vida. Teria muito tempo para trabalhar aquilo tudo, se tratar, mas tinha achado seu espaço. Pôs pra fora aquele entulho que estava dentro dela. Reconheceu que era no meio da barriga que ela existia.

Simone de Paula 08/10/21

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Destino

Ernani decidiu mudar o rumo da vida assim que recebeu o diploma. Passou cinco anos na faculdade de Direito, mas o que aprendeu mesmo foi que ele não era bom naquilo. Entendeu que a lei mais versava sobre os deveres do que os direitos que temos. Ver pela frente o mundo adulto com uma vida urbana, exigiria que ele andasse do lado dos tais deveres. Não quis. Pegou o canudo, endireitou as costas e seguiu atrás do seu propósito.

Começou ocupando o sítio da família, que era pouco visitado. Chegando lá, se sentiu um homem completo, com tarefas simples e a vida provida por ele mesmo. Descobriu a terra e o que daria para fazer com ela. Fez horta e pomar. Ainda não tinha como colher, mas já sabia plantar. O que Ernani não tinha se dado conta era que ele não era nativo e não tinha recebido ensinamento sobre o processo agrícola. Mas, afofou a terra e jogou as sementes. Enquanto não pudesse tirar o sustento dali, compraria alimentos na cidade. Se ocupou da lida diária que o sítio exigia.

Depois de três meses, veio a primeira surpresa: o primo Evaldo avisou que estava de férias e resolveu ir com a família para lá. Só ficariam quinze dias. Ernani ficou num misto de animação, pois teria companhia, mas também pensando que ia ser um incômodo cinco pessoas a mais naquela casa. Não tinha o que dizer, o sítio era da família, coletivo.

Eles chegaram, e como era apenas uma casa no meio do mato, com uns cachorros soltos, não acharam o que imaginavam encontrar: a natureza - ainda que ela estivesse bem ali. Descansaram os dois primeiros dias. Se interessaram pela horta de Ernani, mas não sabiam o que ver além dos brotos. As crianças queriam piscina, videogame, ou ir pra casa. O primo Evaldo, tentava inventar alguma coisa pra fazer com eles, levava para a cidade ou tentava ensinar a jogar dominó. As férias foram um fracasso.

Ernani, sozinho de novo, resolveu dar um trato na casa. Pintou, pediu ajuda ao vizinho e melhorou o telhado. Começou a fazer até um fogão a lenha. Mais três meses e tudo estava feito. A mãe de Ernani mandava dinheiro para ajudar, achava que também ia valorizar o bem e poderiam vender melhor no futuro. Ernani investia a vida ali.

Passou a fazer parte daquele lugar, conhecia as pessoas e o modo de vida, se adaptou fácil. Mas se incomodava com as coisas que não eram como deveriam ser. Os problemas para conseguir melhores sementes para ter a colheita mais farta, ou ainda as insistentes falta de energia. Só funcionava o que cabia no alcance da sua mão. 

Era final de ano e Evaldo avisou que passariam o réveillon no sítio. Dessa vez ele iria com a família e as irmãs. Levaram barracas pra acampar no quintal. Ernani não achou boa essa notícia, mas não tinha como vetar. Bastou uma semana para se instalar o caos. A inabilidade para usarem os recursos que o sítio oferecia fez com que ele se tornasse o empregado dos próprios parentes. 

Tentou convencer a mãe a comprar o sítio. Ela não queria fazer financiamento para isso. E, como ele não tinha emprego fixo, comprovação de renda, nem tinha renda, não poderia fazer isso sozinho? Reclamava dos deveres impostos a ele, mas reconhecia que quando o sítio era invadido pela família, era a falta de dever que fazia o caos se instalar. 

Se quisesse comprar aquele lugar precisaria pensar numa solução. Teria que tirar dinheiro de algum lugar. Conversando na cidade, percebeu que poderia usar o diploma que tinha para auxiliar um ou outro morador que necessitava de um apoio de advogado. Cobrava um valor baixo, mas era alguma renda. Como as mulheres rendeiras, ele teceu suas linhas e fez uma bela malha de clientes. Só suporte burocrático, que para eles já era o que salvaria suas vidas. 

Ernani foi percebendo mais e mais as leis e suas possibilidades. Mas a atenção que dava agora à nova ocupação fez com que ele esquecesse da sua horta. Os legumes e verduras reclamaram atenção. E ele resolveu se desdobrar para arcar com todas as tarefas. Ele tinha deveres diários que não poderia abrir mão. Gostava de como a vida rodava bem assim. 

O prefeito ouviu falar dele, o chamou para uma reunião. Perguntou se estava interessado em entrar para o Partido e se candidatar a vereador. A vaidade subiu e a razão desceu. Aceitou. Envolvido agora com a política local e a lógica que fazia operar essa estrutura, se distanciou da lida do sítio. Os primos resolveram ir de novo, e dessa vez ele nem se importou, quase não ficou ali para vê-los. 

Conseguiu juntar dinheiro e fazer um financiamento, porque agora tinha uma ligação formal com o partido, o que o ajudou. Comprou o sítio, mais pela posse do que pela sua vida lá.

Cinco anos depois que Ernani tinha decidido ir para o interior, a mãe resolveu visitá-lo. Eles tinham se visto pouco nesses anos, apenas duas ou três vezes quando ele tinha ido para a casa dela. Ela o observava de longe e sabia que ele estava caminhando para trilhas bem diferentes do que o filho idealista que ela conhecia. Chegou e só conseguiu vê-lo com calma depois de três dias. E ela olhou bem pra ele e perguntou: então agora você é aquele que usa a lei para ter direitos? Ele se surpreendeu com aquela frase e pareceu não compreender o que ela disse. Mas ouviu bem e não pode parar de pensar. Passou os dias sequenciais meditando sobre aquilo, revendo seu percurso. Avaliando como estava sua vida. Era boa, sem dúvida, mas menos importante. Olhou o sítio, que agora não recebia visitas, apenas tinha dois caseiros para cuidar da horta e da casa. Ele mal sabia o que tinha plantado lá. Descobriu que tinham mudado algumas coisas e ele nem notou. Se deu conta que as coisas mudam e a gente nem vê, que funciona como um vórtex que te leva para o centro e te engole. A frase da mãe refletia que ele tinha conseguido o que queria, mas será que o mundo era assim mesmo? Será que o mundo dele deveria ser assim mesmo? Refletiu sobre a lei e o dever, sobre os direitos do homem, repensou como queria viver os próximos anos de vida. Notou o corpo, o rosto, as roupas, as palavras que usava. Se viu outro Ernani e parecia que nem se conhecia ou como tinha se tornado aquele. Olhava pela janela da sua alma e parecia só encontrar a mesma situação do momento para o futuro, e se viu mais devedor do que qualquer ser humano que siga pelos deveres da lei. E tinha dívida mesmo: com o banco pelo dinheiro emprestado para o sítio, com o partido para seguir terminando o mandato de vereador e seguir trabalhando para ser prefeito, com os clientes que esperavam sua ajuda, afinal, ele continuava a ser um advogado que dava suporte. Devia ao mundo uma vida que nem bem ele quis.

Os cinco anos seguintes foram pagando, lúcido de que deveria concluir o que começou. Depois disso, decidiria o que fazer, pois o único direito que tinha era de escolher depois de não dever mais nada ao outro. A única certeza era a de viver no sítio, plantar e esperar o tempo passar.

Simone de Paula - 01/10/2021



sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Poesia

Eu queria fazer poesia, mas não sei.

Soube recente, que as palavras da poesia carregam um menos que é mais. E eu lá sei por menos?

Tem ainda aquilo de esconder o sentido. Mas eu acho que o sentido se esconde por ele mesmo, até porque eu não sei o que quem lê vai entender. O difícil é escrever sem imaginar quem vai ler.

E a simplicidade? Conseguir encontrar o simples que não seja nem bobo e nem óbvio, como se de tão evidente, ficasse no intermeio entre o literal e o absurdo. Me inventei complexa. Que bobagem!

Rima nem sempre compõe poesia. Faz música, cria cadência, mas nem sempre toca o ponto de conexão com aquilo lá que é impossível reproduzir. Um fazer poesia sem palavra, mas efeito.

Se um dia virar gente, quero ser poeta.

 

Simone de Paula - 24/9/2021



sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Jogo dos sete erros

Mas afinal, será mesmo que o erro está em mim?

A imagem parece quase a mesma. Não são dois desenhos que se comparam, são três. Porém, como são muito semelhantes (sem ser idênticos, evidentemente), podem ser apenas lidos um a um, sem confusão entre os elementos visíveis e invisíveis que gritam para serem percebidos.

À primeira vista: duas pessoas, frente a frente, sintonizadas por uma posição de acordo e equilíbrio. Sim, vemos as pernas retas com os pés firmes no chão, direcionados um para o outro. Quadris alinhados, mostrando que nenhuma das partes se adianta ao desejo, ou tenta se afastar, evitando-o. Disposição é o termo que cabe. Peitos abertos, mostrando coragem. Queixo seguro com os lábios fechados, como num duelo, nenhuma das partes mostra a emoção do momento. Mas, a verdade, é que temos neutralidade, sem um esboço de sorriso ou descrença. Olhos nos olhos, presença real. Pois bem, tudo aí!

A primeira dúvida: os olhos olhavam mesmo uns para os outros? Eu acho que sim, mas você insinua que talvez não. Suas defesas são sempre orientadas para colocar a ilusão em mim. Talvez. O questionador se arroga a posição de saber. Só que não, nem sempre.

Segunda dúvida: se boca e queixo não esboçam sorriso e nem desacordo, os olhos, aqueles que poderiam olhar uns nos outros, poderiam também indicar algum sentimento, inclusive indiferença. E, mesmo que fosse isso, ainda seria alguma coisa. Mas aí já temos um ponto interessante. Se de um lado eu posso ver interesse (mesmo que poderia ser traduzido como indiferença), o que dá pra ver do outro lado? Como quem olha vê o seu próprio olhar? Como dá pra saber o que se transmite do que se sente quando se olha, se é impossível ver isso? Isso não é nem um erro, é justamente o ponto em que um comunica ao outro: "vi isso em você!" Mas como não temos fala, nem sonora, nem escrita, não teve comunicação.

Seguindo os passos dessa análise, teríamos mesmo coragem dos dois lados? Acho que essa pode ser notada. O peito aberto, elegante, esse sim, mostrava a total disposição. Já do outro lado, os ombros revelaram: era só simulação de liberdade. Num primeiro momento pareciam cansaço, ou até uma roupa com caimento ruim, num número maior do que o que encaixa no corpo. Mas o erro tá aí, tomar pelo ponto central quando foi na periferia que apareceu a diferença. A terceira dúvida se expressou.

Como é possível, lado a lado, a pelve estar tão endireitada? Nada pra frente ou pra trás? Nem um desvio de coluna? Aqui gritou o medo. É justamente o lugar da arma no duelo. Aqui é o tudo ou nada. De um lado poderia até arriscar uma leve oferta, mas e se fosse recebida com recusa? Ou ainda, do outro lado, poderia também ter mostrado que isso seria evitado, mas poderia ser tomado como rejeição. Receio total e completo de mostrar o que é para não ser visto como é, e consequentemente, ter que bancar o que estava em cena. Esse erro, confirma o anterior, a coragem queria ser plena, mas o medo a impedia de se realizar.

As mãos, nem muito percebidas, são aquelas que revelaram total descompasso. Poderia ser entrega e aceite, mas era apenas entrega ao nada. Esse sim, um erro, pois nem foi notado.

A sexta dúvida vai ao chão. Pés firmes, seguros. Dedos mirando os dedos. Mas um leve deslocamento  do calcanhar para o alto mostra, e alguém já está em movimento. E não é um em direção ao outro, mas no jogo lateral do tornozelo, o giro naturalmente já indica a desistência. O movimento é de saída.

O sétimo erro, a sétima dúvida, será que não tinha o que vi à primeira vista? Estava tudo aí, o visto e o revisto. Não dá pra dizer que o que se viu depois vale mais do que o que se viu antes, pois as realidades são múltiplas e abertas a serem interpretadas com o olhar de cada um, em cada momento, de acordo com o que se quer ver.

O jogo acabou, mas valeu!

Simone de Paula - 12/09/2021


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Ondas

 Hoje teve sol. Luminoso, acendendo o dia.

No chão, marcas, dos pés, das conchas e das ondas do.mar.

Brilho na água, acompanhado do barulho delicado das ondas.convidam a esquece o tempo e se entregar.

A areia recém molhada, esculpida em sinuosos montes, se esticava à espera dos passos valores que não esperavam chegar a lugar nenhum, apenas desfilar sob a luz daquele novo amanhecer.


Simone de Paula,- 10/09/2021


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Entrega

Esses dias têm sido do melhor jeito que poderiam ser. A viagem, que geralmente vem repleta de programação, tomou outro rumo. Não precisa saber nem do hoje e nem do amanhã, apenas ir fazendo o que o corpo pede. Fome, sede, movimento, calmaria. Frio, calor, saudade, amor.

O.objetivo era uma entrega, muito valiosa. Uma vez cumprido, era a hora de usufruir do tempo que sobrou. Tempo bom, estranhamente desnecessário, por isso, sem programa.

Ontem foi assim, hoje também. E amanhã idem, por que não?

Simone de Paula- 03/9/2021